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  1. Puta, vadia e piranha: por que sexualidade é ofensa?

    março 11, 2015 por Laís

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    Por mais medíocre e preguiçosa que possa ser uma ~mobilização combinada pelo whatsaap e realizada na sala da sua casa, você tem todo o direito de bater panelas, vaiar a Dilma e protestar contra o seu mandato. Agora, é no mínimo triste e irônico, em pleno Dia Internacional da Mulher, ver gente abrindo a janela para vomitar xingamentos machistas à presidenta. Vamos rever esse discurso?

    Não adianta me dizer: “pô Laís, pára de ~femimismo, a Dilma foi xingada por fazer merda e não por ser mulher!”. Ah é? Então por que a chamaram de “piranha”, “puta”, “vaca” e “vadia” ao invés de ofendê-la por sua incapacidade de governar?

    Pense rápido: você xingaria um homem com esses mesmos termos? Já chamou algum cara de quengo, filho do puto ou piranho? “Ah, mas se fosse homem seria chamado de corno, viado ou filho da puta”! Tenho uma novidade pra você: todos esses xingamentos são diretamente ligados à mulher. Ou porque o sujeito em questão foi traído por uma mulher ou porque sua mãe é uma puta ou porque você apresenta características femininas que o ridicularizam e o tornam indigno de ser chamado de ~homem. (mais…)


  2. apenas uma canção qualquer

    março 6, 2015 por Laís

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    um fenômeno frequente à minha rotina musical e que invariavelmente acomete minhas playlists são os chamados loopings eternos. esse evento atinge seres humanos dotados de polegares opositores e capacidade de ouvir a MESMA fucking música durante horas, dias ou até mesmo semanas a fio. sem enjoar. sim, coitados dos vizinhos dessas espécies. (in)felizmente faço parte desse grupo específico. é que tem canções que são lindas demais a ponto de fazer incontestáveis convites silenciosos para morar nelas. pegar carona num acorde, se enrolar numa estrofe, se agarrar nas linhas de baixo e permanecer escondida por trás de suas cifras. se a canção em questão já é foda, seu poder de persuasão é elevado a décima potência quando impregnamos acordes de memórias. é que nenhuma música é impessoal. são melodias carregadas de momentos, são notas que te levam de volta a um pedaço gasto da sua vida. (mais…)


  3. minha condição

    julho 14, 2013 por Laís

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    eu sou uma garota de alta manutenção, baby. por isso nem ouse apertar a minha mão se não for dar conta do recado. não se atreva a me olhar desse jeito, que me despe até a alma e me enche de promessas, se não quiser ir até o fim. como te disse, minha manutenção é cara, por isso pense bem antes de subir a bordo, e só venha se tiver a certeza de não olhar pra trás. meu custo é alto. preciso de juras de amor diárias, que podem ser debitadas num sorriso aberto de cumplicidade, num abraço de entrega, num riso alto, num gozo súbito, num neologismo roubado pra mim, na revelação de que serei a deusa da sua mitologia. e eu nunca estou satisfeita. eu preciso sempre de mais. (mais…)


  4. você me roubou a inspiração

    julho 4, 2013 por Laís

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    você  nunca escolhe o bar onde a gente vai sair. você nunca deixa o som tocar. você nunca me encontra nos lugares que a gente marca. você  sempre tá atrasado. sempre. você sempre prioriza a cerveja e o cigarro. você  nunca tá arrumado. sempre com um moletom gostoso e uma calça jeans surrada. você sempre deixa a toalha em cima da cama. você  nunca abaixa a porra da tampa da privada. você  nunca lava a louça. você  nunca arruma a cama. você  sempre se esquece de estender a roupa. você nunca lembra qual é a minha música preferida. você sempre entra em casa de sapatos sujos. você sempre fica vidrado no seu trabalho e vai dormir quando eu tô acordando. você  deixa a casa fedendo lucky strike azul. você  sempre pede cinco minutos. cinco minutos que nunca são só cinco minutos. você sempre quer ficar mais quando eu já quero ir embora. você sempre quer que eu te abrace quando eu é que quero ser conchada. você sempre quer carne e eu salada. você sempre quer filmes do Rambo e eu do Godard. você sempre quer foder quando eu tô morta de cansada. você sempre quer cerveja e bar quando eu só quero cinema e casa. você  me deixa louca. com latas espalhadas pela casa, roupa suja e etc e tal. você sempre me pergunta o que estou escrevendo antes de eu terminar. você me roubou a inspiração. (mais…)


  5. De olhos bem fechados

    maio 15, 2013 por Laís

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    Mente, mente para mim, baby. Mente porque mentiras sinceras me interessam. Mente porque hoje eu quero uma ilusão pré-fabricada mais interessante que a realidade gasta na janela. Minta para mim porque eu também irei retribuir o favor. Nessa dança sincronizada de falas moldadas, olhos no olhos, boca na orelha e mãos na cintura eu já decorei quais são os seus movimentos. Mas olha lá, preste atenção quando for mentir. Não quero mentiras fáceis. Então cuidado para não tropeçar no meu pé, pisar no meu vestido e estragar a nossa dança. Hoje eu vim de sapatos baixos e lápis preto, porque eu não quero meias verdades nem verdades inteiras. Eu só quero dançar até a sola do meu sapato gastar.


  6. Sou dessas que não desperdiçam orgasmos

    março 8, 2013 por Laís

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    Dar ou não dar, eis a questão. Você tá na porta da sua casa, acabou de voltar muito bem acompanhada da balada. Vocês estão num amasso nervoso dentro do carro, você está morrendo de tesão mas ao mesmo tempo presa em seu conflito interno se chama o cara para entrar e terminar o que começaram, ou se segue os sete mandamentos de como conquistar um cara em dez passos e deixa o convite para depois do quarto encontro, porque “fazendo assim ele não vai me achar uma vadia, não é mesmo?”. Se você se identificou com a situação descrita, na boa, eu tenho pena de você. Me desculpe, mas tenho dó de quem precisa de aprovação para viver. E é por isso que me pergunto: o que aflige tanto as mulheres? Por que temos que praticamente “fingir” que não gostamos de sexo? Por que ainda é tabu a mulher dizer que adora sexo tanto quanto o homem? (mais…)


  7. Pessimistas sem causa

    março 5, 2013 por Laís

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    Somos de uma geração de caloteiros, desperdiçadores, desatentos, devedores, portadores de dda, dispersos e pessimistas sem causa. Almas insatisfeitas. Como Mick Jagger cantava, somos do tipo I can’t get no satisfaction. Somos impostores. Vestimos a roupa mais bonita do armário e saímos de casa com uma meta traçada, em busca de um objetivo que defendemos ferozmente, mas que, na real, ignoramos o que é. Não sabemos o que queremos. Nossa busca é vazia e nosso coração desesperado. Queremos tudo, right here right now, e não conseguimos viver nosso presente. Damos um calote no nosso agora. Desperdiçamos segundos semi-usados.  (mais…)


  8. Crônica de despedida

    janeiro 25, 2013 por Laís

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    Eu tinha um professor na faculdade que era meio atrapalhado, tinha um jeito engraçado, proferia várias frases emblemáticas, mas também era dono de uma sensibilidade extrema e, acima de tudo, era um apaixonado. Apaixonado pelas letras, pela poesia, pela arte, pela vida. Eu me lembro de que, no primeiro ano da graduação, em uma aula ele nos pediu pra escrever uma crônica. Acho que durante esse exercício, meu coração magoado aproveitou a deixa para o desabafo e esse foi então um dos meus primeiros textos sobre relacionamento. Foi também um incentivo para perder a vergonha e continuar escrevendo. Revirando o baú achei a tal crônica que posto aqui (sem revisão alguma, do jeito que eu o entreguei há alguns anos), como uma homenagem, um obrigada, um adeus, uma reza para que você descanse em paz, João Batista Neto Chamadoira. (mais…)


  9. Tropicália e os meus temores

    novembro 26, 2012 por Laís

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    Assisti ao documentário Tropicália, de Marcelo Machado, e o que eu posso falar? Lindo, lindo, lindo. Segue a mesma linha de Uma noite em 67 e é um prato cheio pra quem ama Chico, Gil, Caetano e Os Mutantes. Sentei na cadeira e nem vi o tempo passar ao assistir à análise sobre o importante movimento musical do final dos anos 1960, revivendo a fase em que cena musical fervilhava e os festivais revelavam vários novos talentos enquanto o Brasil sofria com a ditadura.

    Um daqueles filmes que te deixam arrepiada na sala de cinema. É que os personagens abordados no documentário são tão transparentes, tão libertários, todos cheios de fome de viver tudo tão intensamente e ao mesmo tempo que nos tiram o fôlego. Tão verdadeiros, tão reais e ao mesmo tempo utópicos e inocentes se os adaptarmos para a nossa gélida realidade.

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  10. Pedras, hippies e cachoeiras

    novembro 15, 2012 por Laís

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    são thomé das letras: o lugar com maior volume populacional de dreadlocks por metro quadrado, um local habitado por cachorros e hippies. os cachorros pidões fazem graça encarando (e almejando) o seu almoço, e os hippies loucões te pedem para comprar sua arte, mas se se você tiver sem grana não tem problema “serve um beck, um pure hemp” ou qualquer coisa que te tire do marasmo, que te leve para outro lugar, que deixe o clima o tempo ou a atmosfera mais interessante. é o lugar onde tem caninha ouro, figuinho ou itaipava gelada por dois e cinquenta. é a terra do ventania, é onde tem uma placa dizendo ser proibido tocar raul seixas. (mais…)