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Categoria ‘Amor e outras drogas’

  1. apenas uma canção qualquer

    março 6, 2015 por Laís

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    um fenômeno frequente à minha rotina musical e que invariavelmente acomete minhas playlists são os chamados loopings eternos. esse evento atinge seres humanos dotados de polegares opositores e capacidade de ouvir a MESMA fucking música durante horas, dias ou até mesmo semanas a fio. sem enjoar. sim, coitados dos vizinhos dessas espécies. (in)felizmente faço parte desse grupo específico. é que tem canções que são lindas demais a ponto de fazer incontestáveis convites silenciosos para morar nelas. pegar carona num acorde, se enrolar numa estrofe, se agarrar nas linhas de baixo e permanecer escondida por trás de suas cifras. se a canção em questão já é foda, seu poder de persuasão é elevado a décima potência quando impregnamos acordes de memórias. é que nenhuma música é impessoal. são melodias carregadas de momentos, são notas que te levam de volta a um pedaço gasto da sua vida. (mais…)


  2. minha condição

    julho 14, 2013 por Laís

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    eu sou uma garota de alta manutenção, baby. por isso nem ouse apertar a minha mão se não for dar conta do recado. não se atreva a me olhar desse jeito, que me despe até a alma e me enche de promessas, se não quiser ir até o fim. como te disse, minha manutenção é cara, por isso pense bem antes de subir a bordo, e só venha se tiver a certeza de não olhar pra trás. meu custo é alto. preciso de juras de amor diárias, que podem ser debitadas num sorriso aberto de cumplicidade, num abraço de entrega, num riso alto, num gozo súbito, num neologismo roubado pra mim, na revelação de que serei a deusa da sua mitologia. e eu nunca estou satisfeita. eu preciso sempre de mais. (mais…)


  3. você me roubou a inspiração

    julho 4, 2013 por Laís

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    você  nunca escolhe o bar onde a gente vai sair. você nunca deixa o som tocar. você nunca me encontra nos lugares que a gente marca. você  sempre tá atrasado. sempre. você sempre prioriza a cerveja e o cigarro. você  nunca tá arrumado. sempre com um moletom gostoso e uma calça jeans surrada. você sempre deixa a toalha em cima da cama. você  nunca abaixa a porra da tampa da privada. você  nunca lava a louça. você  nunca arruma a cama. você  sempre se esquece de estender a roupa. você nunca lembra qual é a minha música preferida. você sempre entra em casa de sapatos sujos. você sempre fica vidrado no seu trabalho e vai dormir quando eu tô acordando. você  deixa a casa fedendo lucky strike azul. você  sempre pede cinco minutos. cinco minutos que nunca são só cinco minutos. você sempre quer ficar mais quando eu já quero ir embora. você sempre quer que eu te abrace quando eu é que quero ser conchada. você sempre quer carne e eu salada. você sempre quer filmes do Rambo e eu do Godard. você sempre quer foder quando eu tô morta de cansada. você sempre quer cerveja e bar quando eu só quero cinema e casa. você  me deixa louca. com latas espalhadas pela casa, roupa suja e etc e tal. você sempre me pergunta o que estou escrevendo antes de eu terminar. você me roubou a inspiração. (mais…)


  4. De olhos bem fechados

    maio 15, 2013 por Laís

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    Mente, mente para mim, baby. Mente porque mentiras sinceras me interessam. Mente porque hoje eu quero uma ilusão pré-fabricada mais interessante que a realidade gasta na janela. Minta para mim porque eu também irei retribuir o favor. Nessa dança sincronizada de falas moldadas, olhos no olhos, boca na orelha e mãos na cintura eu já decorei quais são os seus movimentos. Mas olha lá, preste atenção quando for mentir. Não quero mentiras fáceis. Então cuidado para não tropeçar no meu pé, pisar no meu vestido e estragar a nossa dança. Hoje eu vim de sapatos baixos e lápis preto, porque eu não quero meias verdades nem verdades inteiras. Eu só quero dançar até a sola do meu sapato gastar.


  5. Crônica de despedida

    janeiro 25, 2013 por Laís

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    Eu tinha um professor na faculdade que era meio atrapalhado, tinha um jeito engraçado, proferia várias frases emblemáticas, mas também era dono de uma sensibilidade extrema e, acima de tudo, era um apaixonado. Apaixonado pelas letras, pela poesia, pela arte, pela vida. Eu me lembro de que, no primeiro ano da graduação, em uma aula ele nos pediu pra escrever uma crônica. Acho que durante esse exercício, meu coração magoado aproveitou a deixa para o desabafo e esse foi então um dos meus primeiros textos sobre relacionamento. Foi também um incentivo para perder a vergonha e continuar escrevendo. Revirando o baú achei a tal crônica que posto aqui (sem revisão alguma, do jeito que eu o entreguei há alguns anos), como uma homenagem, um obrigada, um adeus, uma reza para que você descanse em paz, João Batista Neto Chamadoira. (mais…)


  6. De vitrola quebrada e coração enguiçado

    agosto 22, 2012 por Laís

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    Eu não lembro como tudo começou, se foi eu tirando sarro da marca do seu cigarro de menta, implicando com seus pés tortos ou fazendo graça dos seus cabelos cacheados. De repente já encontrava-me em território perigoso: trocando músicas via e-mail, discutindo vinis, dedicando canções. O perigo sempre morou em atribuir canções às pessoas. Elas roubam seus acordes impregnam a melodia, fazem da letra seu discurso, tornando-se assim impossível ouvi-las sem personificá-las. Pronto, agora o que era uma simples canção torna-se uma lembrança que abusa da bivalência entre o doce e amargo. E então, quando me dei conta, já estava lembrando de ti ao assistir a comercias de detergente, ver propagandas eleitorais e ouvir o caminhão de botijão de gás passar. (mais…)


  7. Sobre o que aprendi com Scartett O’Hara

    maio 30, 2012 por Laís

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    coluna escrita para o casal sem vergonha

    - Frankly my dear, I don’t give a damn!

    Eu sempre amei a frase de desdém que Rhett Butler despejava em Scartett O’Hara na última cena de “E o vento levou” (1939), desmanchando o par romântico mais conhecido e inconstante da história de Hollywood. Rhett profere essas palavras ácidas justo quando Scarlett afirmava o seu amor por ele, e questionava-o sobre o que iria fazer se ele partisse de sua vida. É que Scarlett é uma jovem mimada e petulante, que passa o filme inteiro almejando casar-se com Ashley Wilkes, um amor não correspondido, e quando se dá conta de que realmente ama Rhett, já é tarde demais. (mais…)


  8. Procura-se um par de pés – mesmo que gelados – pra dividir o edredom

    maio 29, 2012 por Laís

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    coluna escrita para o casal sem vergonha

    Mal o inverno chegou e já foi decretada a temporada oficial de casais fazerem fondue – para o desespero dos solteiros aflitos. É que no frio não há nada mais agradável que um cobertor no aconchego do sofá com um filminho no DVD, uma taça de vinho pra te esquentar e um par de pés – mesmo que gelados – pra encontra com os seus embaixo do edredom. Aliás, não existe melhor cobertor que aquele acompanhado por uma conchinha acolhedora. E é exatamente por esse clima de romance que o inverno traz que, nessas últimas semanas, parece que multiplicaram as reclamações de amigas que sonham em encontrar seu par – ou pelo menos um namorado de inverno. É claro que não há coisa mais natural que querer achar um parceiro, mas às vezes essa busca perde o foco: precisa-se mais deixar de ser solteira que encontrar um amor. Precisa-se de um namorado (e ponto). (mais…)


  9. Os 3 segundos que antecedem a paixão

    maio 17, 2012 por Laís

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    Pode ser o jeito mágico como ele enrola os meus fones de ouvido de uma maneira que nunca se embaraçam mais. Pode ser a maneira como segura o violão, o leve desafino que ecoa quando cantarola foxy lady. Pode ser também a forma como a luz penetra em seus olhos claros, e como você se vê refletida em suas doces pupilas. Pode ser o ronronado rabugento que soa de sua garganta quando você diz que ainda não terminou de se arrumar e ele já está pronto pra sair, esse mesmo som que torna-se afetuoso quando você enche o pescoço dele de beijos, e ele ressoa pedindo mais. Pode ser o sorriso despretensioso que ele estampa em sua face e te deixa fora do ar por alguns segundos quando o vê de surpresa. Pode ser o jeito como ele dirige, como troca as marchas com a mesma destreza de quem está escovando os dentes, e a forma como, entre uma curva e outra, ele sempre consegue repousar a mãe direita em sua coxa, no intervalo de uma esquina. (mais…)


  10. Dois anos de Sid & Nancy

    março 22, 2012 por Laís

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    É um par de olhos verdes. É que não é só aquele verde bandeira que é escuro nas pontas, vai lentamente clareando conforme alcança o centro e volta a sua escuridão ao contornar cuidadosamente a íris. É também o olhar, as sobrancelhas, as ruguinhas ao redor do olho que se formam quando ri, o formato dos olhos levemente puxadinhos, e o jeito como me olha. Me olhou com fome. Bastou isso pra me conquistar.

    É o jeito que fuma também. E ele sabe disso. Maldita Hollywood com seus filmes branco e preto eternizando os anos 20 e sexualizando o cigarro. Tudo culpa de Humphrey Bogart, Marlon Brando e Alain Delon que fumam um cigarro com a mesma leveza que despem uma mulher. E você sabe como fazer isso. Transformar baforadas de CO2 em charme, artifícios de conquista.

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