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Categoria ‘Devaneios’

  1. Puta, vadia e piranha: por que sexualidade é ofensa?

    março 11, 2015 por Laís

    original

    Por mais medíocre e preguiçosa que possa ser uma ~mobilização combinada pelo whatsaap e realizada na sala da sua casa, você tem todo o direito de bater panelas, vaiar a Dilma e protestar contra o seu mandato. Agora, é no mínimo triste e irônico, em pleno Dia Internacional da Mulher, ver gente abrindo a janela para vomitar xingamentos machistas à presidenta. Vamos rever esse discurso?

    Não adianta me dizer: “pô Laís, pára de ~femimismo, a Dilma foi xingada por fazer merda e não por ser mulher!”. Ah é? Então por que a chamaram de “piranha”, “puta”, “vaca” e “vadia” ao invés de ofendê-la por sua incapacidade de governar?

    Pense rápido: você xingaria um homem com esses mesmos termos? Já chamou algum cara de quengo, filho do puto ou piranho? “Ah, mas se fosse homem seria chamado de corno, viado ou filho da puta”! Tenho uma novidade pra você: todos esses xingamentos são diretamente ligados à mulher. Ou porque o sujeito em questão foi traído por uma mulher ou porque sua mãe é uma puta ou porque você apresenta características femininas que o ridicularizam e o tornam indigno de ser chamado de ~homem. (mais…)


  2. Pessimistas sem causa

    março 5, 2013 por Laís

    james-dean-bday

    Somos de uma geração de caloteiros, desperdiçadores, desatentos, devedores, portadores de dda, dispersos e pessimistas sem causa. Almas insatisfeitas. Como Mick Jagger cantava, somos do tipo I can’t get no satisfaction. Somos impostores. Vestimos a roupa mais bonita do armário e saímos de casa com uma meta traçada, em busca de um objetivo que defendemos ferozmente, mas que, na real, ignoramos o que é. Não sabemos o que queremos. Nossa busca é vazia e nosso coração desesperado. Queremos tudo, right here right now, e não conseguimos viver nosso presente. Damos um calote no nosso agora. Desperdiçamos segundos semi-usados.  (mais…)


  3. Pedras, hippies e cachoeiras

    novembro 15, 2012 por Laís

    SAOTOME

    são thomé das letras: o lugar com maior volume populacional de dreadlocks por metro quadrado, um local habitado por cachorros e hippies. os cachorros pidões fazem graça encarando (e almejando) o seu almoço, e os hippies loucões te pedem para comprar sua arte, mas se se você tiver sem grana não tem problema “serve um beck, um pure hemp” ou qualquer coisa que te tire do marasmo, que te leve para outro lugar, que deixe o clima o tempo ou a atmosfera mais interessante. é o lugar onde tem caninha ouro, figuinho ou itaipava gelada por dois e cinquenta. é a terra do ventania, é onde tem uma placa dizendo ser proibido tocar raul seixas. (mais…)


  4. Depressão pós-felicidade

    maio 16, 2012 por Laís

    rain

    Estou impregnada de uma nostalgia permanente que chega a ser depressiva. É que é cruel sentir falta do que não volta mais. É masoquista  ficar horas encarando fotos e assistindo a filmes esperando uma brecha qualquer na qual você possa adentrar.

    É injusto a vida ter picos de felicidades que não retornam mais. Eu sei que tudo são fases, que temos que mudar, não podemos ficar estagnados nelas e etc. Mas é de uma crueldade imensurável essa coisa de ficar pensado “essa com certeza foi a melhor fase da minha vida”, “eu era feliz e não sabia” e outras frases de efeito do tipo. (mais…)


  5. Para sempre insatisfeitos (e infelizes)

    fevereiro 29, 2012 por Laís

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    Nostalgia is denial – denial of the painful present… the name for this denial is golden age thinking – the erroneous notion that a different time period is better than the one ones living in – its a flaw in the romantic imagination of those people who find it difficult to cope with the present.

    - Midnight in Paris

    Eu fico inconformada com a capacidade que o ser humano tem de ser eternamente insatisfeito. É novamente a máxima de que só se quer o que não se pode ter. É quase involuntária essa reação. Parece que a gente gosta de se sentir infeliz. Não se sabe o que é felicidade ao certo, mas se tem a certeza de que ela sempre está em outro lugar que não no seu quintal. Aquela história de que “a grama do vizinho é sempre mais verde que a minha”. Não importa em que década que o vizinho vive, a realidade dele parece sempre melhor. (mais…)


  6. Paulistices desvairadas

    janeiro 25, 2012 por Laís

    augusta 324

    Nove meses de São Paulo. Cheguei de passagem, fiquei por vontade. Vontade de conhecer suas ruas, suas musas, suas putas, sua riqueza, sua escória. Porque São Paulo é bela e é feia. Porque só amando muito para suportar viver nesse caos. Porque a beleza de São Paulo é como a daqueles anéis de pedras que alteram a cor conforme o humor de quem os usa. Porque quando a vida vai bem, quando acordo de bom humor é lindo observar a vista, o mar de prédios de concreto que se mostra na minha janela. As buzinas e o som dos carros que não cessam me lembram da cidade que não dorme e me convidam a me perder em seu asfalto. Construir e reconstruir minha vida quantas vezes quiser. Ser quem eu desejar ser sem dever satisfação a ninguém. Porque só no caos é que se descobre quem se é de verdade. Porque é preciso desconstruir para depois construir. (mais…)


  7. Paladar

    janeiro 14, 2012 por Laís

    casablanca rick e ilsa

    Essa seria a noite, isso era certo. Tanto que foi culposo o primeiro olhar que eles trocaram. Estavam certos de que iria acontecer. Ela pressentia, ele queria. E o começo da noite parecia uma dança sincronizada, uma troca discreta de olhares, lugares e conversas inofensivas, até o proposital encontro na porta do banheiro foi esboçado com tamanha sutileza que não levantou suspeitas. (mais…)


  8. Coisas que todo vegetariano deveria saber

    dezembro 8, 2011 por Laís

    A base de nossa alimentação, segundo os onívoros

    A base de nossa alimentação, segundo os onívoros

    (Texto publicado na revista MEME #02 em 2010)

    E já faz um tempo que o mesmo diálogo se repete:
    - Oi, que salgado você tem sem carne?
    - Olha, eu tenho aqui enroladinho de presunto e queijo, pão com salsicha… Ah
    e tem também esfiha de frango!
    - Hum, então me vê um pão de queijo, por favor?

    Quem é vegetariano há algum tempo com certeza já passou por uma situação como essa. Já corrigiu gentilmente milhares de atendentes de padarias e restaurantes explicando-lhes que presunto, salsicha e ainda mais o frango se enquadram na descrição de carne. Ou então já passou numa padoca, verde de fome, e quando escutou a típica resposta do tiozinho do balcão e percebeu que não poderia matar sua fome com nenhuma das opções do cardápio sentiu vontade de descontar toda a sua raiva do mundo no infeliz e gritar: “TUDO ISSO TAMBÉM É CARNE, PORRA!”.

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  9. Pelo direito de chorar em lugares públicos

    agosto 15, 2011 por Neotot

    Pelo  direito de chorar em lugares publicos

    É sempre assim. Os soluços são abafados e você tenta se esconder como pode: atrás dos óculos, cabelos, boné, capuz, gorro, blusa, lenço, livro, mochila. A primeira solução imediata é recorrer ao banheiro mais próximo, trancar-se na cabine e tentar não fazer muito barulho. Mas, se você não tem essa alternativa, vai ter que conviver com a sensação de olhos te examinado de cima a baixo, te fazendo sentir-se um incômodo ao ambiente inabalavelmente plastificado ao redor. Taxada de louca pelos sussurros mudos, vai levar consigo nos olhos vermelhos o atestado de insanidade ou vulnerabilidade feminina. (mais…)


  10. Os “sem pai”

    agosto 11, 2011 por Neotot

    sad_girl

    Esses tipos se subdividem em vários gêneros. Tem os que nasceram já não conhecendo o pai. Tem aqueles que ainda aproveitaram um tempo da figura paterna mais logo o viram partir. Tem os de pais divorciados que só o veem uma vez por ano, no Natal. Tem os que ainda tiveram sorte de aproveitar a infância, a adolescência e a vida adulta ao lado do patriarca. Tem aqueles que nascem como peso de saber que o pai o rejeitou antes mesmo de nascer. Tem os que dão graças a deus que o pai nada protetor deu no pé. (mais…)