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Crônica de despedida

25 de janeiro de 2013 por Laís

delirios

Eu tinha um professor na faculdade que era meio atrapalhado, tinha um jeito engraçado, proferia várias frases emblemáticas, mas também era dono de uma sensibilidade extrema e, acima de tudo, era um apaixonado. Apaixonado pelas letras, pela poesia, pela arte, pela vida. Eu me lembro de que, no primeiro ano da graduação, em uma aula ele nos pediu pra escrever uma crônica. Acho que durante esse exercício, meu coração magoado aproveitou a deixa para o desabafo e esse foi então um dos meus primeiros textos sobre relacionamento. Foi também um incentivo para perder a vergonha e continuar escrevendo. Revirando o baú achei a tal crônica que posto aqui (sem revisão alguma, do jeito que eu o entreguei há alguns anos), como uma homenagem, um obrigada, um adeus, uma reza para que você descanse em paz, João Batista Neto Chamadoira.

Decretada a temporada de caça aos cupidos

“Quem inventou o amor, me explica, por favor?”. Indagação essa feita por Renato Russo na música “Antes das seis”, que faço questão de reforçar. Quem foi a santa alma capaz de inventar sentimento tão complexo e tão ambíguo? É, porque dizem que o amor é igual ao vinho: se passar do ponto azeda e vira vinagre…

Posso até ser taxada de mal amada diante de tantas indagações a esse estado de espírito, que por outros é encarado com tanta simplicidade. Mas é que minha pouca experiência de vida – confesso – não me trouxe lembranças muito agradáveis. Parece que a ambiguidade desse sentimento tão bonito e puro sempre tem mostrado sua faceta negra pra mim. E acho que não estou sozinha nessa. O velho caso do cupido burro: quando não sou eu quem sai machucada, é o outro coitado que tem o mesmo azar que eu – o de se apaixonar e não ser correspondido. Poxa joguinho difícil, hein?!

É por isso que a partir de hoje decreto a morte ao amor! Garanto que não estou começando nenhuma forma de protesto, ou coisa do gênero. Só vou terminar o que essa sociedade pós-moderna iniciou.

Num mundo onde valores são invertidos e a individualidade toma o poder, não há espaço para sentimento de tamanho altruísmo e inocência. Por isso convido todos vocês a viverem uma vida de prazeres instantâneos e curtirem só o momento. Assim, não haverá tempo para sofrer de amor, porque quando você sentir que esse sentimento está brotando em seu peito, é só enterrá-lo e partir para outra.

Tá, tudo bem. Admito que fui radical demais. Mas compreendam, trata-se de um coração revoltado dando seu recado! Entendo que essa pode não ser a melhor decisão a se tomar, portanto solicito uma resposta de vocês: “Quem inventou o amor, me explica, por favor?”.