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Puta, vadia e piranha: por que sexualidade é ofensa?

11 de março de 2015 por Laís

original

Por mais medíocre e preguiçosa que possa ser uma ~mobilização combinada pelo whatsaap e realizada na sala da sua casa, você tem todo o direito de bater panelas, vaiar a Dilma e protestar contra o seu mandato. Agora, é no mínimo triste e irônico, em pleno Dia Internacional da Mulher, ver gente abrindo a janela para vomitar xingamentos machistas à presidenta. Vamos rever esse discurso?

Não adianta me dizer: “pô Laís, pára de ~femimismo, a Dilma foi xingada por fazer merda e não por ser mulher!”. Ah é? Então por que a chamaram de “piranha”, “puta”, “vaca” e “vadia” ao invés de ofendê-la por sua incapacidade de governar?

Pense rápido: você xingaria um homem com esses mesmos termos? Já chamou algum cara de quengo, filho do puto ou piranho? “Ah, mas se fosse homem seria chamado de corno, viado ou filho da puta”! Tenho uma novidade pra você: todos esses xingamentos são diretamente ligados à mulher. Ou porque o sujeito em questão foi traído por uma mulher ou porque sua mãe é uma puta ou porque você apresenta características femininas que o ridicularizam e o tornam indigno de ser chamado de ~homem.

Essas ofensas machistas refletem claramente a mentalidade e a cultura brasileira. Esses xingamentos não são pensados, são ditos no “calor do momento”, mas, ainda que “inconscientes” e incrustados na nossa sociedade, quando reproduzidos, acabam sim reforçando um discurso sexista.

Sei que ninguém nasceu feminista e que os conceitos machistas são normalizados em nossa sociedade, então, vamos esclarecer o seguinte: é errado, é baixo e é ignorante julgar uma pessoa por sua aparência, por sua orientação ou práticas sexuais e pelo seu gênero.

A Dilma podia ser uma vadia. Podia ser uma piranha, puta e vaca. Qual é o significado desses xingamentos todos? Que ela é uma mulher promíscua que dá pra todo mundo? Que ótimo! Eu sou vadia. O mundo é cheio de vadias. E isso não influencia em nada a nossa capacidade profissional.

Sexualidade não é ofensa. Uma mulher pode ser a maior quenga do mundo, mas isso não diminui a sua capacidade de governar, tomar decisões e ter sido eleita democraticamente pela maior parte dos brasileiros.

O que deveria ser discutindo é o interesse de um país, e não com quantos caras uma mulher, no caso a presidenta, já dormiu. Piranha, vaca e puta são termos vazios quando o assunto é política. Mal comida, sapatão, gorda e feia também. Esses adjetivos não acrescentam nada à discussão política, mas dizem muito sobre você.