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Tropicália e os meus temores

26 de novembro de 2012 por Laís

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Assisti ao documentário Tropicália, de Marcelo Machado, e o que eu posso falar? Lindo, lindo, lindo. Segue a mesma linha de Uma noite em 67 e é um prato cheio pra quem ama Chico, Gil, Caetano e Os Mutantes. Sentei na cadeira e nem vi o tempo passar ao assistir à análise sobre o importante movimento musical do final dos anos 1960, revivendo a fase em que cena musical fervilhava e os festivais revelavam vários novos talentos enquanto o Brasil sofria com a ditadura.

Um daqueles filmes que te deixam arrepiada na sala de cinema. É que os personagens abordados no documentário são tão transparentes, tão libertários, todos cheios de fome de viver tudo tão intensamente e ao mesmo tempo que nos tiram o fôlego. Tão verdadeiros, tão reais e ao mesmo tempo utópicos e inocentes se os adaptarmos para a nossa gélida realidade.

Tem uma passagem em que a Rita Lee conta sobre quando conheceu o Rogério Duprat e ele lhe falou: “Eu odeio música!”, e ela instantaneamente se identificou com a afirmação, porque se ama tanto e com tanta urgência que você perde o limite do que é ódio e o que  é amor. Se ama tanto, se quer tudo, tudo, tudo agora e nesse momento que você nunca está satisfeito com o que tem. E você ama mais o desejo do que a satisfação de tê-lo realizado. E aí você odeia simplesmente porque ama. Uma contradição louca.

E o filme dá medo também, porque você vê uma vitalidade na tela, jovens fazendo tudo, mudando o mundo, e aí você se sente um merda. Parece aquelas crises de aniversário, sabe? Do tipo “pô tô ficando velho e o que eu fiz na vida? Qual foi a contribuição que dei ao mundo”? Bob Dylan lançou seu primeiro álbum com 21 anos, e eu? O que eu deixei para a humanidade? Se quer tanto viver tão intensamente que cada segundo que passa é um segundo gasto, um segundo perdido. E o que mais tenho medo é de perder meus minutos, desperdiçar minhas vidas, e me juntar à massa tornando-me apenas mais “uma pessoa na sala de jantar ocupada em nascer e morrer”.